Carne de caça em discussão na UTAD

Agentes políticos e económicos do Norte discutem Projecto C-4ASES e degustam carne de caça

No passado dia 18 de Junho, sob os auspícios e com a encorajadora presença do Magnifico Reitor, teve lugar nas magnificas instalações da UTAD em Vila Real a terceira e ultima das reuniões de um Ciclo de Encontros com as Câmaras Municipais de todo o país e operadores e agentes económicos e sociais.

O objectivo principal foi o da respectiva sensibilização para a necessidade de se revitalizar a industria nacional de carne de caça, fazendo-a contribuir para o reforço das bases económicas locais e regionais e para a criação de emprego e de riqueza, sobretudo no interior do país.

Emídio Gomes, Reitor da UTAD, começou por dar as boas vindas aos inúmeros presentes nas instalações do “Centro de Transferência de Tecnologia em Enologia, Enoturismo e Gastronomia” referindo-se de seguida à conseguida aposta há muito feita pela UTAD nas potencialidades do sector agroalimentar do Norte do pais, manifestando o desejo de que a carne de caça possa vir a ser brevemente mais um valor acrescentado desse sector. Com fino humor, partilhou ainda algumas das suas vivências de caçador entusiasta da caça menor com cão.

Susana Pombo, Directora-geral da DGAV, aludiu à importância económica do Projecto C-4ASES e ao seu contributo para o reforço da saúde animal, da saúde pública e da segurança alimentar.

Paulo Salsa, Vice-Presidente do ICNF, referiu-se à relação entre a resultante de todas as componentes do Projecto C-4ASES e as melhorias da gestão cinegética que todos ambicionam em Portugal.

Artur Torres Pereira, Presidente do CPM, disse que as formas diferentes como Portugal e Espanha encaram a Caça se traduzem infelizmente numa enorme transferência de valor para a economia espanhola à custa da caça portuguesa, apontando algumas soluções para inverter tão negativa situação.

Susana Santos, da DGAV, fez uma excelente apresentação sobre os riscos da colocação no mercado de carnes de caça maior selvagem, a legislação aplicável e os respectivos requisitos sanitários.

Nelson Neves, Vice-Presidente do CPM, explicou detalhadamente as especificidades dos equipamentos de frio das unidades da Rede territorial de Infraestruturas intermédias de recolha e inspecção de carne de caça maior para posterior encaminhamento para a transformação e aproveitamento alimentar, e também dos respectivos subprodutos, para posterior encaminhamento para incineração. 

Vítor Gonçalves, Director executivo da PEC-Nordeste, em Penafiel, deu conta da experiência da PEC-Nordeste e das iniciativas que houve que tomar para que actualmente o respectivo matadouro receba, transforme e comercialize carne de caça maior selvagem.

No animado debate que se seguiu em interacção com os oradores, a numerosa assistência colocou inúmeras questões, destacando-se as suscitadas por Júlia Rodrigues e António Pimentel - presidentes, respectivamente, das Camaras Municipais de Mirandela e de Mogadouro -, e por outros intervenientes, relacionadas com o papel que os Matadouros do Cachão (actualmente desactivado) e de Mogadouro (em construção) poderão ter nesta matéria num futuro próximo. Também a situação actual da Caça no norte do país (incluindo o destino a dar aos animais de caça maior abatidos) foi objecto de prolongada e apaixonada discussão.

No final - acompanhando um excelente vinho tinto da afamada Adega Cooperativa de Vila Real - os participantes puderam degustar com prazer dois tipos completamente diferentes de carne de caça maior selvagem. O primeiro, as excelentes “empadas de caça maior” confeccionadas pelo nosso amigo e presidente da “Confraria da Empada” Luís Ribeiro; o segundo, um magnífico “tártaro de gamo guarnecido com mayonese de cogumelos silvestres e temperado com vinagre de mirtilo” de “comer e chorar por mais”, servido pelo jovem chef  Carlos Matos.

Acreditem ou não, ninguém se preocupou muito com o jogo da Selecção Nacional dessa noite…

 

 

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