Montaria no Monte de Portugal: o prazer de caçar entre amigos!

A montaria que o CPM levou a efeito no Monte de Portugal em Montargil no passado dia 11 de Janeiro, em parceria com a conceituada organização “Montarias de Portugal”, foi um verdadeiro prazer de princípio a fim para todos os que tiveram o privilégio de nela participar.

O “princípio” começou aliás na véspera, com um belo jantar no “Afonso” - esse ex-libris alentejano da “nobre arte de bem manducar” -, em que o arroz de pombo do QF se revelou mais inspirador para o dia seguinte (cobrou três javalis…) que o arroz de coelho bravo escolhido pelo ATP e pelo JA, os pezinhos de coentrada selecionados pelo JG, e o sumptuoso “lombinho” por que optou o FFJ…

Na manhã seguinte, sol radioso acompanhado de frio revigorante. A pontualidade na concentração no Monte de Portugal foi observada por (quase) todos, o pequeno-almoço foi um bom e animado aperitivo para a (magnifica) convivência que se seguiu durante todo o dia, resultante de praticamente todos os presentes se conhecerem há muitos anos, recordando como é agradável Caçar entre amigos, partilhando com eles histórias, vivências e emoções e integrando progressivamente os mais jovens como nesse dia a Carlota, a Madalena e o Manuel Maria, activos representantes da mais recente geração de caçadores!

O animado sorteio dos 40 postos distribuídos por 6 armadas “coloridas” (consideramos todavia ser preferível a tradicional nomenclatura alusiva a alguma particularidade de cada armada do que a utilização de cores ou números para as designar) foi fiel repositório de tudo o que é suposto ser: no caso vertente, as boas vindas do João Jordão e do Artur Torres Pereira, a prédica do Director de Montaria Joaquim Faria (que também explicou as razões da sua feroz aversão a tal “cargo”…), os esclarecimentos do Pedro Rodrigues sobre a mancha, a apresentação das matilhas participantes, habitual nas montarias do CPM, e no final um sentido Pai Nosso conduzido pela Marta, a nossa encantadora anfitriã, que luzia uns lindíssimos safões novos …

Sorteio e saída por armadas fizeram com que a colocação dos postos tivesse sido rápida e eficiente. E todos finalmente prontos e atentos, na expectativa, aliás não defraudada, de um bom dia de caça.

Ao longo da manhã sucederam-se pausadamente os tiros isolados, aqui e ali entrecortados por séries de duas ou três detonações. As matilhas, competentes e veteranas desta mancha, seguiam cadenciadas o roteiro da sua marcha; e os andamentos da polifónica sinfonia das ladras alternavam entre o andante da busca, predominante, e o fugaz allegro molto vivace das perseguições e dos agarres a que por vezes cedia lugar.

No posto onde nos encontrávamos, um balcão com deslumbrante vista elevada e panorâmica de 360º em redor, avistámos ao longo da manhã cerca de duas dúzias de javalis, e desfrutámos da Caça como há muito não acontecia – a altura do posto permitia-o – mediante o fantástico espectáculo que foi vê-los furtarem-se às matilhas que avançavam, parando e tomando ventos para optarem pela melhor escapatória por entre aquelas, deixando-as chegar praticamente em cima para então arrancarem decididamente para trás, surpreendendo os cães por completo. O mais surpreendente de tudo é que até muito pequenos javalis revelaram um precoce instinto de sobrevivência e conseguiram, todos sem excepção, escapar ilesos das ruidosas e longas perseguições que se seguiam aos encontros: dos inúmeros levantes de javalis que tivemos o privilégio de poder contemplar nas encostas em nosso redor, nem um agarre os cães conseguiram!

O que também vimos, isso sim, foi o ocupante do posto vizinho errar com alguns tiros um belo navalheiro saído do barranco à sua frente correndo para trás na “limpa” resultante da desmatação dos eucaliptos rumo aos altos, nas suas costas, e assaltou-nos a dúvida sobre o número de dias que iria durar ao seu protagonista a enorme azia resultante deste lance… O mais curioso da situação é que a um familiar seu ocorrera exactamente o mesmo no ano passado…

Acabou a magia. Recolha, aperitivos no Monte. Exceptuando os casos da tal azia (como sempre, assumida por poucos e dissimulada porventura por mais…), uma primeira impressão dos relatos ouvidos confirmava a satisfação geral. Poucos postos sem atirar (Caça é Caça…), três ou quatro casos de cobro triplo, bastantes a cobrarem um javali ou dois. Com um sol magnífico, muitos optaram por almoçar ao ar livre enquanto se lançavam, com bom humor e boa disposição, nas sempre fascinantes explicações para aquele tiro falhado ou aquele erro cometido, ou então no deleite da descrição dos lances daqueles dificílimos abates (geralmente a trezentos ou mais metros…) de javalis “impossíveis”…..

Que tarde e almoço mais prazenteiros! O culminar daquele ambiente de camaradagem foram os “parabéns a você” cantados em coro dentro da sala por todos (incluindo os que a pouco e pouco foram abandonando as mesas no exterior deixando praticamente sozinho sem se aperceber de nada o aniversariante MCO) que, ao ser chamado, se deparou com a surpresa daquele coro e as duas velas evocativas do seu 53º aniversário acesas e prontas a serem apagadas num magnífico bolo (obrigado Marta!) confeccionado para a ocasião, no qual era felicitado o sócio 1022 do CPM!

O quadro de caça e as fotos tardaram porque, como sempre acontece nesta mancha, há invariavelmente alguns javalis que têm que ser retirados dos profundos barrancos que nela existem – assim aconteceu infelizmente com o belo navalheiro sacado ao “Barranco do Inferno”, que não chegou a tempo de ser admirado por todos…

32 javalis - com dois navalheiros - foi o óptimo resultado da montaria. Mas, mais que os javalis cobrados, a relutância com que muitos abandonaram já quase de noite o Monte foi o sinal inequívoco que o mais importante havia sido o prazer sentido por todos num extraordinário dia de saudável convívio em torno da nossa paixão comum, que os nossos anfitriões das “Montarias de Portugal” tão bem souberam preparar e proporcionar! Bem hajam!

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