"António Rodrigues" (Mancha): Tudo à sua altura!

Se na passada sexta-feira 24 de Janeiro teve lugar mais uma das (boas) montarias do calendário do CPM da presente época, a verdade é que por razões especiais esta esteve muito longe de ser apenas mais uma – é que ela era realizada em evocação (doravante anual) da saudosa memória do nosso querido António Rodrigues, homem afável e bem-disposto, caçador e Monteiro de toda a vida, sócio do CPM nº 118 e Monteiro do ano 2019, bom amigo e companheiro de todos os verdadeiros amantes da Caça maior, Pai do nosso Director Pedro Rodrigues.

Para além disso, também a conjugação do facto de essa montaria em particular ir ter lugar no Condado das Águias (nome que suscita sempre alguma animada polémica extra-caça, mais pelo lado das águias do que pelo do Condado…), com o de ir ser realizada em parceria com a conceituada “Montarias de Portugal “, garantia à partida que este iria ser um dia especial de Caça.

Porque a Caça o é antes, durante e depois, alguns dos participantes voltaram a honrar a tradição do jantar de confraternização na véspera juntando-se no “Afonso”, em Mora, para saborearem a boa cozinha alentejana e...a boa companhia uns dos outros. Desta vez porém, ao invés do que é habitual, os arrozes falharam e os pezinhos não estavam disponíveis, pelo que o entusiasmo do JA, do ATP, do QF, do NN, do JG, o FFJ, da CN e do MGF ficou um pouco abalado, nada que não tivesse sido ultrapassado graças à prolongada e animada tertúlia!

Na manhã seguinte, encontro às 8 horas na propriedade, em Brotas. No plano da meteorologia, até S. Pedro se associou ao espírito da montaria pois, contrariando as previsões dos dias anteriores, o vento quase desapareceu e a precipitação respeitou a efeméride ausentando-se durante todo o dia, regressando ligeirinha só quase de noite.

Antes do sorteio foi prestada uma sentida e comovida homenagem a António Rodrigues pelo Presidente do CPM e pelos dois directores de montaria, José Neves e Aires Fernandes (companheiros do homenageado em muitos anos de andanças monteiras), acompanhada pelo filho Pedro, pelo Miguel seu neto, e por todos os presentes.

O chapéu de montaria desde sempre utilizado por António Rodrigues, colocado sobre a mesa e virado para nós, foi para todos muito mais que um simples chapéu.

O sorteio foi compreensivelmente mais silencioso que habitualmente. E naquele momento de emoção, até se deu a emocional circunstância de o posto ocupado por ele naquela montaria, na última vez em que nela caçou, ter sido precisamente o mesmo atribuído pelo sorteio neste dia ao Presidente do CPM - singulares coincidências…

Para gente que se conhece e que conhece bem a mancha antes conhecida como a “da barragem”, a saída das armadas e a colocação dos postos foi quase rotineira, permitindo no caminho o revisitar de postos antes ocupados, os lances antes neles vividos, as alegrias e decepções neles sentidas.
 
A mancha estava repleta de javalis, desde cedo isso ficou patente pelas detonações que se fizeram ouvir sem cessar, pelas ladras incessantes e pela lentidão com que os matilheiros avançavam, forçados a aguardarem constantemente pelo regresso dos cães após as suas constantes perseguições, que se concretizaram aliás num número considerável de “agarres”.

As armas que ocupavam a parte norte da mancha foram um pouco mais bafejadas pela sorte que as restantes, pois os animais deram mais jogo precisamente nessa zona, Caça é Caça… E a manhã passou “num ai”

No regresso ao Monte, pelos relatos dos caçadores adivinhava-se o elevado número de javalis abatidos. O RT abatera nove (felicidades para Tóquio, campeão, a minha bandeira nacional já está operacional!), o PT quatro – um dos quais um excelente exemplar – o AR, o ATP e o JA três, vários companheiros com dois e um. Por estranho que possa parecer o CC não atirou (ninguém entende…), o QF desta vez também não (talvez por lhe ter faltado o arroz de pombo na véspera…), e o pobre FFJ continua há dezenas de montarias sem atirar (não desistas, amigo, que quem porfia mata caça: lembra-te da história do ketchup do Ronaldo…).

Bom e alegre almoço/lanche. Infelizmente a recolha dos animais foi difícil como é habitual, pelo que o bonito e bem apresentado quadro de caça exibindo os 46 javalis cobrados se realizou já de noite, à luz dos faróis dos automóveis disponíveis. O enorme javali da PT sobressaía, e muitos de nós poucas vezes o tínhamos visto, vá-se lá saber porquê (ao PT, claro), tão solto e sorridente…

S. Pedro decidiu então dar por concluída a homenagem que à sua maneira também prestara à memória de António Rodrigues. E à medida que nos íamos despedindo e partindo, a chuva que de mansinho começara a cair, engrossando com o passar dos minutos, trazia-nos memórias e saudades suas, primeiro também de mansinho mas engrossando ao longo da viagem até ao momento em que, algo contrariados, nos obrigámos a fazê-las afastarem-se para nos podermos concentrar com segurança na estrada de regresso a casa.

Até sempre, Amigo!

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