Montaria na Herdade das Pintas – (bom) final de (boa) época!

Com a realização da Montaria da Herdade das Pintas, em Fronteira, terminou no passado dia 18 de Fevereiro a temporada de caça do CPM mais bem-sucedida dos últimos anos.

Como já se tornou (bom) hábito entre os associados, na véspera o JG, o CC, o ATP, o JLL e a T, o JA e o TZT partilharam um animadíssimo jantar de confraternização em Estremoz, no Alecrim (abençoada Michelle Costa!), particularmente focado numas divinais costeletinhas de borrego e num estupendo Alcunha tinto de 2018!

No dia seguinte não haveria pequeno-almoço nem almoço servidos no Monte do Peso, lugar da concentração: como já é tradição, tratando-se da última montaria CPM da época, cada monteiro traria a sua própria merenda de casa para ser partilhada por todos, como se fazia antigamente com satisfação geral!

Com este enquadramento e pequeno-almoço já anteriormente tomado, os 23 monteiros assistentes encontraram-se no Monte pelas 8h da manhã (mais ou menos…), desfrutando de um dia que já se anunciava magnífico, sem uma nuvem, com um sol glorioso e o céu de um azul helénico! O sorteio foi precedido de breves palavras de boas vindas por parte do presidente do Clube e do anfitrião Manuel Sevinate Pai, de algumas explicações técnicas sobre a mancha por parte do anfitrião Manuel Sevinate Filho, e finalmente do tradicional Pai-nosso.

Sorteio feito, deslocação para a mancha e distribuição pelos postos. A mancha a montear era este ano menor devido ao desbaste da parte virada a sul, precisamente a mais solarenga e porventura a mais querenciosa nos anos anteriores, de onde aliás se avistava o muito badalado Monte de uma celebridade muito em voga nos meios sociais do entretenimento televisivo…

A montaria teve aos ouvidos dos presentes três períodos bem distintos. Um primeiro com ladras, tiros e alguns agarres, análogo ao que se passara durante toda a montaria nos anos anteriores, mas que desta vez durou pouco mais que hora e meia. Um segundo, em que reinou o silêncio. E um terceiro, mesmo no final, que durou o tempo preciso do som e do eco do último tiro da montaria: já explico.

O primeiro foi muito animado. Deu para tudo, até para o TZT matar um, errar outro e ser literalmente atropelado por um terceiro ao qual não conseguiu atirar, o JLL continuar a justificar os propósitos do filho no final da montaria anterior, o LC (roendo as unhas) ter três agarres à sua frente sem conseguir atirar a nenhum, o distinto representante do Norte marcar o ponto como habitualmente, a MN matar um que provou “cientificamente” no final não ser aquele que tombou perto dela mas sim aquele que jazia um pouco mais longe, o JR matar três, e o JF matar no posto 24 um belíssimo navalheiro. Da semi-institucional armada “leonina”, desta vez o SC e o PS ficaram em branco, só o ATP marcou em remate certeiro, sem tiros…

O segundo período, pela acalmia e pelo sossego verificado durante cerca de uma hora, permitiu eventualmente a alguns a introspecção tranquila e reflexiva que, estamos certos, muito útil lhes terá sido nos dias seguintes… 
 
E finalmente o terceiro momento, o mais curto mas o mais intenso, aquele em que o DTA mais uma vez comprovou o estado de graça monteiro em que tem vivido a presente época ao abater (mais) um magnífico navalheiro, num lance que traduz bem as incertezas e as surpresas da Caça e a tornam aos nossos olhos a actividade mais motivadora e apaixonante.

Tendo estado em absoluto sossego durante toda a montaria na linde do mato sem ver um pêlo, eis que poucos momentos antes do recolher lhe surge o “vizinho” MS, ao qual deu conta, algo decepcionado, da aridez monteira daquele posto nº 3. Na sequência daquele breve diálogo, o MS pediu-lhe para não se mover dali, pois - disse-lhe - sabia da existência de alguns encames de javalis ali relativamente perto e iria de seguida lá passar por si acaso. E afastou-se tranquilamente.

O bom do DTA mal teve tempo para se concentrar, pois assim que momentos depois o MS chegou aos tais encames levantou de um deles como uma lebre um enorme javali, que lhe pregou um enorme susto e logo tomou o seu caminho de fuga - adivinhem qual…
Experimentem agora fechar os olhos e imaginar a fantástica cena – durante toda uma montaria, numa mancha pequena que seguramente os cães percorreram ruidosamente o mais possível, no meio de tiros, ladras e agarres, um astuto e velho javali navalheiro, vigilante, horas a fio acamado a curta distância de um monteiro expectante, ambos enlevados um com o outro sem o saberem porque ignorando-se mutuamente…

Podem abrir os olhos outra vez: infelizmente (para um) e felizmente (para o outro), semelhante engano de alma ledo e cego …a fortuna não deixou durar muito…, mas apenas devido à intromissão fortuita do MS no último momento da montaria, senão a esta hora o javali estaria de boa saúde campeando nos montes de Fronteira. Agora digam-me lá se existe ou se conhecem algo de mais fascinante que a Natureza e a Caça!!!...

No final, recolha de volta ao Monte do Peso, onde um alegre almoço ao ar livre, na varanda, (que permitiu comprovar a qualidade inultrapassável dos manjares sólidos e líquidos de cada um, destacando-se as pataniscas do SC, a bôla de carne do JLL e os patés do MR) deu sequência bem regada (a água, claro…) a uma interessante reflexão sobre o (mau) estado da Caça em Portugal…

Antes de (já com saudades) nos despedirmos finalmente uns dos outros e de Sevinate Pai e Sevinate filho, foi bem significativa a salva de palmas que premiou o bem apresentado quadro de caça, presidido pelos dois enormes navalheiros do JF e do DTA, expondo condignamente os vinte e seis animais cobrados!

Obrigado por tudo! Até breve!

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