O CPM e as zonas de caça intensiva (cercões)

A posição do Clube Português de Monteiros, Associação Nacional de Caça Maior, sobre o exercício da Caça maior em propriedades integralmente muradas ou vedadas com rede cinegética intransponível para o efeito é muito clara: justifica-se e tem um importante papel económico e social.

A desertificação do mundo rural, a dificuldade de fixar as populações nas zonas de baixa densidade e em gerir de forma sustentada e simultaneamente rentável os respectivos recursos endógenos levou a que a exploração dos recursos cinegéticos fosse encarada pelos diversos agentes envolvidos (agricultores, proprietários, operadores turísticos, autarcas e demais população) como uma actividade económica essencial.

Neste contexto a Caça, sendo uma alternativa muito importante a formas de exploração do solo menos sustentadas e mais danosas para o ambiente, tornou-se vital para o reforço das bases económicas locais e regionais do interior do país, designadamente pela criação de postos de trabalho temporários e permanentes (zonas de caça, hotéis, restaurantes, postos de combustível, turismo rural, comercio local de produtos regionais) que tanta falta fazem.

Nos cercões, onde se explora quase exclusivamente a Caça maior, a prática venatória é ainda mais ordenada que noutras zonas de regime cinegético especial. Limpeza de caminhos rurais perimetrais e interiores, implantação de cercas com malha cinegética, criação e limpeza permanente de locais de abeberamento (charcas ou fontes), implantação de faixas de protecção de incêndios e sua manutenção para controlo e gestão do coberto florestal, selecção de pontos de alimentação em locais estratégicos para correcta monitorização das populações e contagem de efetivos (censos) para uma gestão sustentável dos territórios.

O reequilíbrio que normalmente se verifica entre espécies cinegéticas de caça maior e menor e o aumento das densidades populacionais de espécies protegidas contribui para a revitalização de cadeias alimentares naturais. Espécies como o muflão permitem controlar melhor o material combustível (pasto e mato), contribuindo para o aumento da regeneração natural e a consequente melhoria do montado adulto (e da cortiça) em espaços consequentemente mais sustentáveis.

Contudo, os cercões devem funcionar na base de regras muito claras. E de critérios, dimensões, usos e limites territoriais muito precisos e objectivos.

Não se sabendo com exactidão quantos são os cercões existentes em Portugal, é indispensável o respectivo mapeamento e o seu registo actualizado. Deve ser definida uma percentagem máxima da área de cada Concelho a ser ocupada por áreas vedadas com rede cinegética.

Cada cercão deve ter um gestor cinegético qualificado que garanta o cumprimento das boas práticas de gestão em Caça Maior. E deve estar sujeito a medidas de acompanhamento periódico mais rigorosas que noutras zonas de caça, nomeadamente controlos sanitários (por amostragem) para despiste de epizootias (em moldes a definir pela DGAV), e exames laboratoriais para garantir a pureza genética dos espécimes envolvidos.

Devem ter uma área mínima, prever uma densidade máxima de animais por hectare, realizar censos anuais rigorosos para definir os quantitativos de abate em cada época venatória (a determinar em conjunto com o ICNF). E ser proibidos de utilizar quaisquer processos ou meios de atracção de caça das áreas circundantes, sob pena de deixarem de funcionar.

Em suma, devem existir porque trazem benefícios económicos e sociais evidentes e indispensáveis. Mas devem fazê-lo com regras, deveres e direitos transparentes, objectivos e monitorizáveis.
 
-Clube Português de Monteiros, 39 anos na defesa equilibrada e com princípios da Caça maior-

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