O Clube Português De Monteiros E O Edital ICNF Nº 1/2021

1 - No ano passado, o CPM discordou frontalmente do Edital nº 1/2020 do ICNF, que trazia como novidade a aberração cinegética da “montaria de Verão” (explicámos porquê sem sermos desmentidos), a coberto da figura da “correcção de densidades” invocada para a verdadeira (e legítima) finalidade: prevenir ou minimizar os prejuízos a causar ou causados pelos javalis.

2 - Acaba o ICNF de divulgar o Edital nº 1/2021, válido até 30 de Junho próximo. É diferente do anterior: finalmente o ICNF decidiu controlar efectivamente a aquisição e utilização dos selos de caça maior, e a sua monitorização em tempo real, o que é muito positivo. Mas tendo uma vez mais sido elaborado sem consulta às organizações especializadas, ou pelo menos sem ouvir a sua opinião, o resultado não foi nada bom.

3 - As correcções de densidades não são actos de Caça. Nem podem ser o fundamento para acabar por converter os caçadores em “controladores de densidades”. Devem ser uma excepção utilizada pontualmente para corrigir aumentos populacionais comprovados que não se consigam controlar através de actos de Caça normais.

4 - Banalizar as correcções de densidades é muito perigoso, pois encoraja no futuro os Governos, perante a pressão dos anti-Caça, a decidirem que esta já não se justifica porque lhes basta contratar uns quantos “matadores profissionais de animais selvagens” para controlar as respectivas densidades, fazendo deles funcionários públicos. Isto ainda não ocorre em Portugal, mas já acontece em Espanha e noutros países. É isto que queremos no nosso?

5 - Se os dez dias do respectivo período de lua não são suficientes para controlar a espécie, então está na altura de se passar a autorizar esperas aos javalis todos os dias do ano, mediante uma simples alteração prévia do respectivo diploma habilitante.

6 - Permitir a caça até 15 de Março a coberto de uma alegada correcção de densidades “em posto fixo” (suscitando dúvidas quanto a outras “em posto móvel”), praticada por até 10 caçadores e até 20 cães de qualquer tipo, ignorando sem justificação os cães e as matilhas de caça maior, é uma decisão infeliz que desvirtua a arte de Caçar. E não é o ICNF o garante do respeito por todo o período reprodutor da Avifauna no terreno?

7 - E voltamos a insistir: no Verão, com a excepção das acções de curta duração de correcção de densidades em campos de milho, é irresponsável permitir que cães e matilheiros sejam expostos às elevadas temperaturas verificadas, em postos “fixos” ou “móveis”. E é cinegética e ecologicamente indefensável que cães e matilhas possam evoluir em terrenos onde novos animais de caça menor e maior nasceram há menos de 3 meses.  

8 - Pior ainda é ignorar-se de forma inexplicável o momento que vivemos. Não continuamos em estado de emergência e em confinamento? Já desapareceram os riscos que levaram à proibição temporária de actos de caça?

9 – Como se isto não bastasse, e nada estando mencionado nesse sentido no Edital, a verdade é que algumas pessoas alheias ao ICNF (certamente beneficiando de informação privilegiada e acesso fácil aos respectivos bastidores) já vieram publicamente anunciar no futuro próximo um novo Edital para os meses de Julho, Agosto e Setembro, devidamente “adaptado”. Cá estaremos para ver se, e como, isso se confirma.

10 - Esperamos que doravante se ouçam TODOS os devidos intervenientes na busca das soluções defensáveis e harmoniosas que permitam alcançar um verdadeiro equilíbrio entre as várias espécies animais entre si, e entre estas e o ser humano.
 
 
25 de Fevereiro de 2021
Clube Português de Monteiros, 39 anos na defesa equilibrada e com princípios da Caça maior. 

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