Homenageado Álvaro Barreira, Sócio Fundador Do CPM

Álvaro da Purificação Barreira foi no passado dia 12 de Março objecto em Bragança de merecida Homenagem dos seus amigos dinamizada pelo Clube Português de Monteiros (CPM), com o envolvimento da família e o apoio da Câmara Municipal de Bragança.

Álvaro Barreira é um ilustre filho de Bragança que ao longo da sua profícua vida reconhecidamente desenvolveu intensa actividade associativa e desempenhou funções públicas relevantes no âmbito das Florestas, da Agricultura e da Caça.

Engenheiro florestal, foi Chefe da ex-Administração Florestal de Bragança e Chefe da Divisão de Caça e Pesca da ex-Circunscrição Florestal de Vila Real entre 1970 e 1990.

Foi o sócio fundador nº 9 do CPM, aceitando em 1982 o desafio da representação do Clube em Trás-os-Montes que lhe foi lançado, entre outros, pelo saudoso Jorge Roque de Pinho e por João Bugalho, sendo desde então incansável na difusão dos princípios e valores éticos da Caça autêntica defendidos pelo CPM.

Participou na elaboração da primeira Lei da Caça publicada após o 25 de Abril - Lei nº 30/86, de 27 de Agosto - que pôs fim ao caos cinegético reinante após o 25 de Abril e que relançou a caça ordenada em Portugal, Lei que foi também ponto de partida para o início da caça ordenada em Bragança e Trás-os-Montes, cujo apoio por parte das populações locais, das Juntas de Freguesia e das Associações de Caçadores a ele se deve com enorme mérito.

Foi dele a primeira iniciativa para a caça ordenada do Corço em Portugal, que concretizou na Turicorço, a Zona de Caça Turística que criou em 1989. A ele se deveu a criação em 1991 da Zona de Caça Nacional da Lombada, diamante cinegético infelizmente ainda hoje por lapidar.

Foi dos primeiros a perceber a importância dos benefícios económicos e sociais decorrentes da exploração da caça ordenada e sustentável, sendo pioneiro na integração na economia rural de Bragança e Trás-os-Montes desse importante recurso endógeno. Apercebendo-se antes de outros das potencialidades do então inexistente “turismo cinegético”, concebeu e concretizou em Fevereiro de cada ano os fantásticos “Encontros Venatórios do Nordeste Transmontano”, cuja primeira edição oficial teve lugar em 1986.

Durante uma década, quatro mágicos dias de alegria e de festa encheram Bragança de vida e converteram-na numa cidade verdadeiramente cosmopolita, com a presença de dezenas de caçadores e amigos portugueses, espanhóis e de outras nacionalidades (que contribuíam significativamente para a economia local), desafiados por Álvaro Barreira para desfrutarem de três dias de montaria e da habitual largada de faisões aos sábados de manhã, e para se reunirem cada noite ao jantar no restaurante Geadas nos animados “Serões Transmontanos”.

Nessas multitudinárias montarias, organizadas por ele e pelos serviços florestais que dirigia, pontificou sob a sua égide aquela que foi a primeira matilha de caça maior de Portugal, conhecida como a “Matilha dos Serviços”.

A homenagem teve dois momentos, sendo o primeiro uma emotiva Sessão que decorreu no Auditório Municipal Paulo Quintela, evocativa da sua vida e personalidade, em que usaram da palavra o Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, o ex-Ministro da Agricultura Arlindo Cunha, o eurodeputado Álvaro Amaro, o ex-Director Geral das Florestas João Bugalho e o Presidente do CPM Artur Torres Pereira. O segundo foi um caloroso jantar de confraternização dos participantes, que decorreu no mesmo restaurante que acolheu os “Serões Transmontanos” que organizou durante anos.

Álvaro Barreira foi e é um gigante da Caça em Portugal. Marcou o seu tempo e a sua região. Todos lhe estamos profundamente reconhecidos e gratos.

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